domingo, 7 de outubro de 2007

[MÊS DA MULHER TAMBÉM É MÊS DE ROCK!]

Há ainda os sem-vergonha que digam: lugar de mulher é na cozinha. E já tem as mulheres que dizem assim: você acha? Então pega na minha!

Brincadeiras à parte, o universo feminino vem sofrendo transformações com o passar dos séculos. Do vestuário apertado e que escondia tudo aos micro-shorts e tapa-sexos, existe hoje um meio-termo. No pensar e no agir, temos uma mulher mais consciente do seu poder físico, psicológico e que pode arrastar multidões para shows inesquecíveis!

Pensa que não? As mulheres vêm desde os primórdios do rock acompanhando a sua trajetória e, aos poucos, foram se inserindo no cenário. Para você, caro leitor, ter uma noção do que eu estou falando, existe uma lista no livro "What Was The First Rock'n'Roll Record?", de Jim Dawson & Steve Propes, que tenta desvendar o mistério do primeiro registro de rock na história da música. Eis que nessa lista de candidatos, surge uma mulher, Helen Humes, com um dos maiores hits de sucesso dos anos 40: ¿Be-Baba-Leba¿. A música foi gravada em 1945, ainda no final da Segunda Guerra Mundial. Por mais que estivéssemos em um século revolucionário, as mulheres eram (e até hoje são) discriminadas por cantar e / ou dançar.

Já o primeiro registro de rock em português foi feito por uma mulher, Nora Ney. "Ronda das Horas", uma versão de "Rock Around the Clock", ganhou os primeiros compactos na década de 50.

Na medida em que o rock ia tomando corpo de movimento cultural que contestava e promovia a liberdade de expressão, a cena ia se restringindo aos machos. Igualdade o cacete! As mulheres continuavam aparecendo em segundo plano, principalmente com a explosão quase que galáctica de artistas como Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones...as calcinhas ficavam mesmo só na platéia, chorando, esperneando e procurando chamar a atenção de seus ídolos... até que ela chegou.

Janis Joplin foi o ícone dessa libertação da ¿pista¿, e correu para o palco. A cantora, que vinha de forte influência do blues e folk, rompeu barreira a barreira, desde o preconceito até a ideologia masculina, incorporando os três vértices do triângulo que mais fez sucesso na época: sexo, drogas e rock and roll. Cultivava a atitude rebelde, e vestia-se como os poetas da geração beat. Apesar do péssimo exemplo com o uso excessivo de drogas e álcool e de sua morte precoce, Janis abriu alas para que as mulheres tomassem conta de um espaço exclusivo.

Nessa linha rebelde-sem-causa-drogada-polêmica, temos uma série de mulheres, mas a categoria pode ser resumida em um nome: Courtney Love. Essa fez de um tudo: bebeu, cheirou, fumou, cantou com o Hole, casou-se com ninguém menos que um dos suicidas favoritos dos anos 90, atuou em filmes e foi deixando-se levar pela maré.

No heavy metal, gothic e outros estilos mais pesados, temos representantes à altura e que estão ou estiveram no front do palco arrasando os corações dos cuecas de plantão e encantando com sua voz, presença e charme, tornando-se inspiração para outras tantas garotas: Doro, Tarja Turunen, Vibeke Stene, Angela Gossow, Cristina Scabbia, entre tantas outras.

Mas nem só de cantar vivem as damas do rock. Outras grandes estrelas, mais coadjuvantes, também dão o seu ar da graça, mostrando seu talento em outras ¿posições¿ de uma banda, como é o caso das baixistas Sean Yseult (White Zombie) e D'Arcy Wretzky (Smashing Pumpkins), da guitarrista Syang (P.U.S.), da tecladista Awa (Lordi) e por aí vai...

Tem também as mulheres que não deixam a peteca cair e mantêm o compromisso de informar os fãs ou trabalhar nos bastidores de tudo isso, como é o caso de Gisele Santos, a idealizadora do Mundo Rock, as meninas do Fire Rock Carla Marabesi eBruna de Campos, as assessoras de imprensa Marcia Stival e Heloísa Vidal, a apresentadora Cíntia Diniz, a VJ Penélope Nova... todas enfrentam suas dificuldades, mas trabalham duro em prol de uma cena mais justa. O rock vai caminhando, o heavy metal não morreu... outros estilos e vertentes surgem sempre nessa mesma trilha, e as mulheres não ficam para trás nunca...

E o que seria dos homens nessa bagunça sem as mulheres? Todas elas têm papéis que desempenham para o bem e para o mal. São todas figuras apaixonantes e não importa se são bangers, alternativas, roqueiras, se vestem preto justinho ou são coloridas, se carregam na maquiagem ou não. Todas elas enfrentam o preconceito, são expressivas e sinceras na atitude e têm o poder.

Sexo frágil? Tem certeza?

No próximo programa VÁ TE CATAR tem os grandes hits do rock e do metal que essas incríveis mulheres ajudaram a construir, além de falarmos um pouquinho das mulheres malvadas da cena, os pivôs de separação de outras tantas, a discriminação, o pouco espaço para elas no Brasil e muito mais!

Não é macho o suficiente pra ouvir? Ahn, então é mulher de peito!!!

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